quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

"Um Bando de Mentirosos" [Série "Você pode confiar na Bíblia?"]

"Mateus, Marcos, Lucas e João – um bando de mentirosos!”


Parado numa movimentada esquina do centro de Chicago, dificilmente eu me achava preparado para ouvir tão taxativa declaração – principalmente de alguém que estivera procurando esconder seus desapontamentos da forma costumeira.

Os olhos injetados e a face enrubescida, levavam ainda mais a esta conclusão.
“Já li todos, e não se pode confiar em nenhum deles!”.

Fiquei pensando no que poderia estar por trás da informação gratuita. Mas antes que me fosse possível perguntar, a patética figura se virou e continuou o seu caminho.

Vinte anos já se passaram desde que se deu este incidente, e durante esse tempo tenho ouvido a mesma melancólica desilusão de muitas outras pessoas. E parece haver sempre esse toque de melancolia, à semelhança do que ocorre quando a criança descobre que não existe Papai Noel. Quando um homem cresce confiando na Bíblia, ele acha difícil passar sem esse Livro.

Não faz muito, um médico amigo confidenciou-me as mesmas dúvidas inquietantes a respeito das Escrituras. “Pode você ser um estudioso honesto e ainda confiar nesse Livro antiquado?”.

Tenho o privilégio de ensinar religião a alunos de medicina e outras áreas da saúde. Um bom médico é um cientista. Ele insiste em fundamentar suas conclusões em suficiente evidência. Que paciente confiaria em um cirurgião que toma do seu bisturi sem cuidadoso exame dos fatos relacionados com o caso?
A mesma atitude inquiridora se verifica na aula de religião. Inevitavelmente, surge de novo a pergunta: Qual é a base, onde está a evidência, para se olhar a Bíblia com tanta confiança?

Foi como aluno de colégio que comecei a sentir a urgência de responder a mim mesmo esta pergunta. Eu havia crescido em um lar cristão. Como menino, acompanhei meu pai por todas as igrejas da Inglaterra. Muitas vezes me pedia que lesse os textos bíblicos antes que ele pregasse. E a maneira como falava acerca da Bíblia não deixava dúvida alguma do lugar onde ele estava.

Para um filho admirador, não havia necessidade de nenhuma outra evidência. Se o papai cria naquilo, também eu! Mas depois passei a notar que a confiança de meu pai era sua própria, e tudo o que ela me dizia era que de algum modo ele estava satisfeito.

Trinta anos atrás comecei a estudar o grego, e depois as outras línguas e instrumentos para pesquisar a história e significado da Bíblia. Quanto mais estudava, tanto mais razão encontrava pra confiar nas Escrituras.

É verdade que a Bíblia é um livro muito antigo. Ou antes, é uma coleção de livros muito antigos. O mais recente deles foi escrito por volta de dois mil anos atrás!

Como, então, podemos estar certos de que a Bíblia é hoje a mesma que era quando apareceu de início?

Podemos confiar nas palavras? Como podemos saber que elas não foram alteradas durante todos esses anos?

Podemos confiar no livro? É a coleção ainda a mesma? Foram uns perdidos e outros acrescentados?

E quanto às versões? Bíblia de Jerusalém, Almeida Revista e Corrigida, Almeida Revista e Atualizada, Bíblia Viva, na Linguagem de Hoje, King James e centenas de outras mais! Pode-se confiar em todas elas?

E com respeito ao significado? Pode o homem de hoje confiar em que encontrou o significado do Livro, nessa época moderna, com uma linguagem diferente?

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