terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

A Noite Vem

O dia do evangelismo vai passando. Chega o crepúsculo anunciando a noite. Os "meteorólogos" divinos anunciam trevas e temporais sobre o mundo. Muito pouco foi realizado. O que a Igreja não fez nos tempos de liberdade e de tolerância, terá de fazer em dias de "tempestade".

Pode-se dizer existirem na igreja três classes de pessoas: os acomodados que, conformados com este mundo, não se preparam para a volta do Senhor Jesus. Não são membros contribuintes nem militantes. Assistem às reuniões da Igreja, chegam até a cantar e a orar, mas ficam nisso. Não avançam mais. Dão pequenas ofertas, quando poderiam dar mais e ainda retêm o Dízimo do Senhor.

Em segundo lugar estão os membros "contribuintes". Estes dão boas ofertas, estão sempre prontos a colaborar em campanhas financeiras da Igreja. Devolvem o Santo Dízimo, não se sabendo, porém, tratar-se de um dízimo fiel. Deus o sabe! Mas não são militantes. Não se filiam a nenhum grupo missionário. Não são vistos nas reuniões convocadas com objetivo de trabalho missionário. Esquivam-se o quanto podem da tarefa de salvar almas.

Por último, a classe ideal: os militantes. Estes são sempre prontos a colaborar nas campanhas da Igreja. São fiéis nos Dízimos e perfilam com os que compõem o grupo de vanguarda - os missionários leigos atuantes. Pena que esse grupo de irmãos seja reduzido.

Nestes dias que antecedem à "tempestade", a Igreja deve ser menos "do mundo" e mais "no mundo". Ser "menos do mundo" é desviar-se dos seus pecados, das suas maldades, da sua desobediência aos Dez Mandamentos. É libertar-se do "império da moda, dos costume e prazeres mundanos." Mas é "no mundo" que a Igreja tem de exercer suas atividades sociais, morais e espirituais, sendo um fermento de paz, amor e salvação.

Chegou a hora da definição. Requer-se que cada membro se una no trabalho para Deus. Quem se esconder nesta hora da grande batalha espiritual, não poderá ser incluído entre os vencedores. porque os que lutarem sob a Bandeira de Jesus Cristo, triunfarão!

Cristo continua a passar e a Sua ordem é sempre a mesma: "Segue-Me". Pode ser que ouçamos essa ordem uma única vez. Se O seguirmos completamente sentiremos o gozo de trabalhar para Ele, fazendo tudo o que nos for possível para ganhar almas para o Reino de Deus. Se em nós não há interesse pelas almas perdidas é porque ainda não O estamos seguindo "de todo o coração".

Uma das características da verdadeira conversão é o despontar de um grande amor e interesse por aqueles que ainda não foram alcançados pelo Evangelho.

A ordem "Segue-Me" é um chamado para a ação, para a luta, sofrimento e desconforto. Se todos os membros pertencessem ao grupo dos "militantes", o mundo todo seria prontamente advertido e logo deixaríamos este "vale de sofrimento e maldade". Às vezes ficamos contentes porque temos na igreja alguns grupos missionários atuantes. Mas quantos membros estão arrolados nesses grupos? Apenas uma pequena parte. E a outra o que faz? Isso nos deve entristecer. Oremos a Deus e trabalhemos com esses irmãos que ainda não se dispuseram a colaborar com a Igreja e com Deus.

Ao empreendermos o avanço missionário da Igreja em novas áreas, não nos esqueçamos da própria Igreja. O "rebanho" deve ter cuidadosa assistência espiritual, pleno conhecimento das nossas doutrinas e interesse pelas almas perdidas. Só assim evitar-se-ão as apostasias ou pelo menos serão grandemente diminuídas. Não negligenciemos os que já estão conosco, batizados.

O batismo deve ser precedido de vigorosa e interessante doutrinação bíblica. Nenhum preparo é demasiado quando se quer levar alguém às águas do batismo. Podemos e devemos batizar muito mais do que temos feito até agora. Porém, preparemos bem os candidatos ao batismo. Após o batismo, devemos prosseguir dando a devida atenção aos recém-conversos. Eles não podem ficar esquecidos pelo fato de estarem batizados. Nada substitui o "calor" humano, a simpatia, o amor.

Que o presente compêndio alcance os seus nobres objetivos, despertando as energias espirituais e morais, mais ou menos escondidas no seio da Igreja. Que as forças sejam arregimentadas para o nobre serviço de salvar almas que é a única razão da existência da Igreja.

A.S. Valle (Introdução do livro "Segue-Me", CPB).

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