quinta-feira, 13 de março de 2008

Você pode confiar nas Traduções? [Série "Você pode confiar na Bíblia?"]

Um amigo meu, que é pastor, gosta de fazer referência freqüente a uma versão do Novo Testamento que, por acaso, tem uma encadernação levemente azul. Esta é, muitas vezes, causa de preocupação para sua esposa, pois, como pode um livro encadernado em azul ser a Bíblia?

Tenho em casa mais de uma centena de versões e edições diferentes da Bíblia. Algumas das mais recentes até em brochura! Entretanto, minha coleção está longe de ser completa.

Parece que ninguém sabe exatamente quantas traduções inglesas já apareceram até agora. Tenho uma lista de pelo menos duas centenas do Novo Testamento. Há muitas outras de livros do Novo Testamento separados. Infelizmente, há muito menos traduções do Antigo Testamento.

Alguns estudiosos sinceros da Bíblia acham de certo modo desconcertante que haja tantas versões diferentes das escrituras. E quase todos os anos se vê a publicação de mais uma.

Podem todas essas traduções e versões pretender, com justiça, ser a Palavra de Deus? Pode-se confiar em todas elas?

Os que visitam minha sala de estudo muitas vezes perguntam: “Que tradução o senhor considera melhor? Qual delas o senhor acha mais autêntica?”

Naturalmente, a Bíblia mais autêntica é o original hebraico, aramaico e grego – até onde foi possível recuperar a redação original dos manuscritos e outras fontes.

Mas poucas pessoas tiveram a oportunidade de estudar as línguas bíblicas. Nem é necessário que tivessem.

Por isso, devemos eterna gratidão aos muitos estudiosos nobres que, através dos séculos, assumiram a responsabilidade de traduzir a Bíblia para os idiomas do mundo.

Alguns livros da Bíblia têm sido traduzidos para mais de mil línguas, além da nossa própria. Podem todas estas traduções pretender ser a Palavra de Deus? Ou apenas as pessoas que falam o inglês foram favorecidas com a verdadeira Bíblia?

Quando as pessoas na Turquia, na Etiópia, na Islândia, na Coréia lêem sua Bíblia na língua pátria, estão elas lendo a Palavra de deus tanto como nós, quando abrimos uma das versões de língua portuguesa? Certamente o estão. Existe apenas uma Bíblia, mas ela se encontra em muitos idiomas.

Um dos relatórios mais interessantes do trabalho de traduzir a Bíblia para as línguas da Terra foi publicado em 1952. Foi escrito pelo secretário para as versões da Sociedade Bíblia Americana, Eugene A. Nida. Ele intitulou seu livro de God’s Word in Man’s Language (“A Palavra de Deus em Linguagem humana”).

O Dr. Nida descreve seu trabalho de assistente dos missionários, na tradução da Bíblia para a língua das pessoas às quais foram servir. Freqüentemente eles entravam em enormes dificuldades para representar idéias bíblicas nas línguas que não possuem nenhum termo equivalente. Às vezes precisam ser feitas muitas modificações interessantes.

Ele cita como exemplo as palavras de Jesus. “Eis que estou à porta, e bato.” Apocalipse 3:20. De acordo com o costume em certas partes do mundo, apenas o ladrão deveria bater. Uma pessoa amiga anunciaria sua chegada, chamando. Dessa forma, a frase memorável foi adequadamente alterada – mas o significado essencial continuou o mesmo.

Depois de muitos anos de experiência, o Dr. Nida pode dizer ainda que embora haja inúmeras traduções, são elas todas a Palavra de Deus – mas na linguagem do homem. Em nenhuma outra já apareceram tantas traduções diferentes como no inglês. A primeira Bíblia inglesa completa foi o trabalho de Wycliffe e seus seguidores. Ela apareceu na Inglaterra em 1382. Naqueles dias as línguas originais da Bíblia não eram conhecidas no Ocidente. Na verdade, o grego foi primeiramente ensinado na Universidade de Oxford no mesmo ano em que Colombo fez sua grande descoberta, 1492! Conseqüentemente, Wycliffe teve que basear sua tradução na Vulgata Latina, por si mesma uma tradução.

A Imprensa ainda não havia sido inventada, tampouco. De maneira que a Bíblia foi toda escrita a mão.

Wycliffe foi chamado “A Estrela da Manhã da Reforma”, não sem motivo. Ele sabia que o povo da Inglaterra precisava ter a Bíblia na própria língua comum, caso devesse aprender a verdade por si mesmo.

A idéia de que simples homens leigos deveriam ter livre acesso às Escrituras, era considerada altamente perigosa pelas autoridades da Igreja, w Wycliffe enfrentou ferrenha oposição. Não obstante, ele continuou sua tradução, sem levar em conta o risco pessoal. Ele morreu de um ataque, mas depois de sua morte as autoridades ordenaram que seu corpo posse exumado e queimado.

Passou-se mais de um século antes do aparecimento de outra Bíblia Inglesa.

Em 1525 – de novo em face de violenta oposição – William Tyndale produziu seu notavelmente completo Novo Testamento em linguagem moderna. Dessa vez traduzido do grego. Era uma publicação muito atraente. O texto foi organizado em parágrafos. Não havia nenhuma divisão de versos, pois estes ainda não tinham sido inventados.

Tyndale não viveu o suficiente para terminar o seu trabalho sobre o Antigo Testamento, muito do qual ele traduziu na prisão. Enquanto refugiado na Europa, exemplares do seu Novo Testamento foram queimados publicamente, assim que eles chegavam de volta à Inglaterra. Finalmente, ele foi preso, enforcado e queimado no poste.

Dos aproximadamente 18 mil exemplares do Novo Testamento de Tyndale, impressos entre 1525 e 1528, apenas dois permanecem hoje – tão determinados eram os esforços para destruir sua versão “herética”. Felizmente, cerca de noventa por cento do maravilhoso trabalho de Tyndale foram preservados na versão da Bíblia King James.

Enquanto isso, em 1522 Lutero publicava seu excelente Novo Testamento em alemão, seguido pelo Velho Testamento em 1534. Ele enfrentou a mesma oposição com que parece ser recebida qualquer nova versão importante da Bíblia.

Para ilustrar a intolerância que tantas vezes parece produzir essa oposição às novas traduções da Bíblia, há a crítica que Cochlaeus dirigiu contra a Bíblia de Lutero:

“O Novo Testamento traduzido por Lutero para a sua língua pátria é, na verdade, o alimento da morte, o combustível do pecado, o véu da malícia, o pretexto da falsa liberdade, a proteção da desobediência, a corrupção da disciplina, a depravação da moral, o fim da concórdia, a morte da honestidade, o manancial dos vícios, a enfermidade das virtudes, a instigação da rebelião, o leite do orgulho, a nutrição do desdém, a morte da paz, a destruição da caridade, o inimigo da unidade, o assassino da verdade!”

Se isto parece incrível, relembra precisamente a linguagem destemperada que saudou a Versão American Revised Standard, em 1952.

Mesmo antes que Tyndale fosse executado, o clima religioso da Inglaterra Estava começando a mudar. Outras versões começaram a aparecer a pequenos intervalos: a de Coverdale em 1535, a de Roger em 1537.

Em 1539 era publicada a primeira Bíblia Inglesa “autorizada”. Ela foi chamada a Grande Bíblia, em virtude do seu tamanho considerável. Uma vez que ela era em grande parte uma revisão da Tyndale, talvez devesse ser conhecida como a primeira versão revista autorizada.

Outras versões continuaram a surgir durante o século dezesseis. Depois de 1557, todas elas possuíam divisões de verso.

Estes 7959 pequenos versos-parágrafos foram organizados por um homem chamado Estefano, durante uma viagem em lombo de animal de Paris a Lion. Algumas das divisões pouco felizes sugeriram que pelo menos alguma parte do trabalho pode ter sido feita em cima do cavalo!

Tomemos por exemplo Apocalipse 20:5. “Mas os outros mortos não reviveram até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição”. O arcanjo desventurado destas duas sentenças no mesmo verso sugere que a primeira ressurreição é a dos ímpios e ocorre no fim do milênio!

Mas ninguém precisa jamais ficar preso à divisão dos versos. Ela não possui em si mesma nenhuma autoridade, e não deve trazer nenhuma dificuldade para o leitor que tem o cuidado de estudar todo o contexto.

A mesma coisa é verdadeira quanto à divisão dos capítulos. Estes provavelmente tenham sido introduzidos por volta de 1228, por Stephen Langton, um professor da Universidade de Paris e posteriormente arcebispo de Cantuária.

Uma das Bíblias mais notáveis do século dezesseis foi a Versão de Genebra de 1560. Ela foi preparada pelos refugiados calvinistas da Inglaterra, que haviam fugido para Genebra durante o reinado de Maria. Essa versão é conhecida como “a Bíblia dos Calções”. Pois onde a Versão King James diz que Adão e Eva costuraram folhas de figueira, e fizeram para si “aventais”, a Bíblia de Genebra fala da vestimenta como “calções”.

Essa versão era muito popular e oferecia forte concorrência à posterior Versão King James. Era muito menor e menos dispendiosa. Além disso, continha algumas notas protestantes interessantes a respeito dos católicos romanos.

Oito anos mais tarde, em 1568, apareceu a segunda versão revista e autorizada. Foi chamada a Bíblia dos Bispos, uma vez que muitos dignatários da Igreja haviam tomado parte no trabalho. Sua revisão se tornou a base principal da versão King James.

Por esse tempo, estava surgindo um problema que dizia respeito à Igreja Católica Romana, de acordo com o qual muitos dos fiéis estavam fazendo uso das versões protestantes. Isto levou à publicação da primeira Bíblia Inglesa Católica Romana, o Novo Testamento de 1582, o Antigo em 1610.

O trabalho foi realizado nas cidades de Rheims e Douay, daí ser essa Bíblia conhecida como a versão Rheims-Douay. Uma vez que ela era traduzida da Bíblia oficial da Igreja Romana, a Vulgata Latina, a Rheims-Douay era, na verdade, a tradução de uma tradução. Não obstante, era uma versão fiel.

Às vezes alguém ouve histórias a respeito de alterações graves efetuadas na Bíblia católica. Essas histórias não são verdadeiras. Os Dez Mandamentos, por exemplo, podem ser citados de forma abreviada no catecismo, mas são apresentados integralmente em Êxodo 20.

Acusações de corrupção igualmente infundadas foram assacadas pelos tradutores da Douay contra as versões da Bíblia que eles procuravam substituir. Eles as denunciaram como “traduções falsas” e acusaram os que as fizeram de “corromper tanto a letra como o sentido por falsa tradução, acréscimo, difamação, alteração, transposição, pontuação e todos os meios astutos, especialmente onde isto favorecia suas opiniões particulares”.

Era esperança manifesta dos editores da Douay que sua versão mais digna de confiança levasse os fiéis a “desfazer-se ao menos de suas versões impuras, tais como as que até aqui tendes sido obrigados a utilizar”.

Que a versão seria fácil de ler e de entender não foi preocupação da comissão Rheims-Douay, como eles admitiram francamente. Onde, por exemplo, a Versão King James se refere a “coisas no Céus, e coisas na Terra, e coisas embaixo da Terra”, a versão Rheims de 1582 diz “celestiais, terreais e infernais”. Filipenses 2:10.

Onde Paulo diz, referindo-se a Jesus, “esvaziou-Se a Si mesmo”, os tradutores da Rheims dizem “Ele Se privou a Si mesmo” Filipenses 2:7.

Como se podia esperar, seguindo tão de perto os calcanhares da Bíblia de Genebra com suas notas claras, a Douay retrucou em espécie e extensão na margem.

Na verdade, todas essas Bíblias do século dezesseis foram traduções fielmente exatas. Muitas delas, porém, foram influenciadas pela inclusão de absoluto interesse, mais do que de notas doutrinárias inflamatórias.

Tyndale, por exemplo, observou na margem oposta a história do bezerro de ouro: “O touro do Papa mata mais do que o bezerro de Arão!” Isto foi pensado com dificuldade para moderar a feroz oposição que ele já estava experimentando.

Numa impressão de 1549, da Bíblia de Rogers de 1537, descobri uma observação notável. Diante da instrução de Pedro de que as esposas devem sujeitar-se a seus maridos, a a margem acrescenta: “Ele habite com sua mulher com entendimento; que a tenha como uma auxiliar necessária, e não como uma cativa ou escrava. E se ela não for obediente e útil a ele, esforce-se para incutir o temor de Deus em sua mente, para que por esse meio ela possa ser levada a aprender o seu dever e praticá-lo”.

Como seria se a Bíblia de Rogers de 1549 se tornasse nossa versão comum hoje!

Na Bíblia de Genebra há uma nota relativa a Apocalipse 13:18, explicando que o número 666, o número da besta, refere-se obviamente ao papado.

Na margem da versão Rheims-Douay aparece uma longa resposta destinada a indicar que enquanto pode ser facilmente mostrado que o número se refere a Martinho Lutero, os tradutores não se dignaram conferir-lhe este título, visto que ele não foi senão um precursor do anticristo.

Veio então 1604. Sob o patrocínio do rei James, foram feitos planos para a preparação da terceira versão revista oficial.

O rei havia ordenado que se preparasse “uma versão de boa origem”, que “não fosse tida exatamente como contrária”. Devia basear-se na melhor de suas predecessoras, especialmente a Bíblia do Bispo; não devia conter nenhuma nota doutrinária.

Dessa forma, foi produzida em 1611 a famosa Versão King James, decididamente a mais influente de todas as versões da Bíblia Inglea. Seguidamente ela é citada como “a Versão Autorizada”. Na verdade, nenhum registro de sua autorização foi encontrado até hoje. E uma vez que ela era uma revisão, em lugar de tradução, o nome mais correto talvez devesse ser “Versão Revisada King James”.

Quão diferente era essa edição, das modernas que temos agora! Ela era muito grande e pesava mais de dez quilos. Imagine-se levando um volume dela para a igreja! A ortografia e a pontuação parecem de tipo muito antigo para nós agora. Quando você vir novamente um estabelecimento comercial denominado em ortografia antiga “Pharmacia Homeopatha”, lembre-se de que a Versão King James original era escrita nesse estilo.

Não há nenhum dado na coluna do centro O Arcebispo Ussher ainda não havia empreendido sua cronologia. Havia muito poucas palavras em itálico e pouquíssimas referências com cruz na margem. A maioria das que temos hoje foi acrescentada posteriormente. O resumo dos capítulos e os títulos das colunas eram também diferentes de agora.

Durante muitos anos a Bíblia King James conteve os livros apócrifos. Todas as Bíblias inglesas, fossem protestantes ou católicas, costumavam incluir esse livros extras. A única diferença era que as versões protestantes seguiam a inovação introduzida por Lutero, de agrupar todos estes livros entre os Testamentos, enquanto as Bíblias católicas os deixavam espalhados entre os outros livros, como eram tradicionalmente colocados na Septuaginta grega antiga.

No começo da edição de 1611, havia muitas páginas de dados não mais incluídos – genealogias, calendários, “Um almanaque para XXXIX anos”, “Lições Próprias para serem lidas...aos domingos, do começo ao fim do ano”. A Versão King James original ordenava especificamente a observância do domingo.

Uma das mudanças mais importantes nas edições modernas da versão de 1611 é a omissão do prefácio, um documento muito elucidativo. Doodspeed procuroou durante anos fazer com que essa omissão fosse corrigida, mas sem sucesso. Esse prefácio conta uma história surpreendente da forte oposição à Versão king James, logo que esta apareceu.

Pode-se supor, naturalmente, que o povo inglês estava aguardando com ardente expectativa o aparecimento dessa importante revisão. Mas, mesmo antes da publicação, a comissão já estava sob pesada crítica por presumir revisar a todo custo a Bíblia Inglesa.

A Bíblia do Bispo, de 1568 (a segunda versão autorizada) e a Bíblia de Genebra, de 1560, a essas alturas já se haviam tornado amplamente aceitas na Bretanha. A possibilidade de que a linguagem familiar dessas versões instituídas pudesse ser modificada na versão de 1611, era vista com grande preocupação. Muitos anos depois, afirma-se, os Pais Peregrinos não quiseram ter a bordo do Mayflower uma cópia da Versão King James, porque a consideravam uma tradução moderna. A Bíblia de Genebra era sua versão oficial.

Num esforço para acalmar a desconfiança, a comissão da King James indicou Myles Smith, um de seus componentes, e mais tarde bispo de Gloucester, para escrever um prefácio apropriado para explicação e defesa de sua nova versão. Ele intitulou o documento “Os Tradutores ao Leitor”.

“O zelo para promover o bem comum”, começa ele dizendo”, seja imaginando qualquer coisa pertecente a nós mesmos, ou revisando aquilo que foi produzido por outros, merece certamente muito respeito e estima, não obstante não encontre se não fria acolhida no mundo.

“Pois aquele que mexe com a Religião dos homens em qualquer parte, mexe com seus costumes, ou melhor, com sua propriedade, e embora eles não encontrem nenhum conteúdo naquilo que possuem, não podem conformar-se em ouvir falar de alteração.

“A boca de muitos homens esteve aberta por um bom tempo (e ainda não parou), falando a respeito da Tradução há tanto tempo à disposição(...): e perguntam qual pode ser a razão, qual a necessidade de uso: Foi a Igreja enganada todo esse tempo? Perguntam eles... Era a sua Tradução boa antes? Por que eles a corrigem agora? Não era coisa boa? Por que foi imposta às pessoas?”

Embora os tradutores da King James estivessem submetidos a um certo grau de condenação pública, eles sempre se referiam com grande respeito às versões da Bíblia que haviam aparecido antes do seu tempo.

“Longe de nós esteja condenar qualquer um de seus realizadores que trabalharam antes de nós dessa maneira, cada qual em sua terra ou além-mar, uns no tempo do Rei Henrique, outro do Rei Edward... ou da rainha Elizabete, de saudosa memória, que sabemos terem sido dirigidos por Deus, para a edificação e suprimento de Sua Igreja, e que merecem ser tidos por nós e pela posteridade em perpétua lembrança. (...)

Por esse motivo, benditos sejam eles, e mais honrado seja o seu nome, que quebrou o gelo e deu o passo sobre aquilo que contribuiu para a salvação de almas.

Ora, que pode ser mais válido também do que entregar o livro de Deus ao povo de Deus, numa linguagem que ele entenda? (...) Apesar disso, como nada é começado e aperfeiçoado ao mesmo tempo, e as idéias que vêm depois são consideradas mais sábias: assim, se edificamos sobre o seu fundamento que foi antes de nós, e estamos sendo ajudados por seu trabalho, esforcemo-nos para tornar melhor aquilo que deixaram tão bem; nenhum homem, estamos certos, tem motivos para não gostar de nós; estamos persuadidos de que eles, se estivessem vivos, agradecer-nos-iam”.

Essa apreciação, porém, não se tornou imediatamente acessível ao público britânico. O surgimento de outra revisão apenas trouxe confusão para muitos iletrados. Como puderam todas estas várias traduções dizer-se a Palavra de Deus?

A isto, a Comissão da King James respondeu com muito tato e sabedoria:
“Não negamos, antes afirmamos e reconhecemos, que mesmo a tradução mais medíocre da Bíblia em inglês, publicada por homens de nossa profissão (...) contém a palavra de Deus, ou melhor, é a palavra de Deus. Como a Kings Speech, que tem circulado no Parlamento, sendo traduzida para o francês, alemão, italiano e latim, ainda é a Kings Speech, embora não seja interpretada por cada tradutor com a mesma graça, nem talvez tão adequadamente quanto à fraseologia, nem tão expressamente quanto ao sentido em cada circunstância (...) Não causa, portanto, porque a palavra traduzida seria negada como a palavra, ou retirada de circulação, antes que alguma imperfeição ou defeito pudessem ser notados em sua publicação”.

Todos fariam bem em partilhar sua generosa consideração com outras versões, Em lugar disso, é um estranho paradoxo ver um defensor da Versão King James fazendo desonrosas observações a respeito de outras traduções. Essa não foi a atitude da comissão de 1611.

Os revisores da King James foram gratos por todas as versões que os haviam precedido. Seu único objetivo era manter em boas condições a Bíblia Inglesa.

Como eles se alegrariam ao ver as versões de nossos dias! Quão atrativamente são elas impressas, como são fáceis de ler e quão fáceis de se adquirir!

Um exemplar da Versão Almeida pode ser comprado por uns poucos cruzados apenas, enquanto a Versão king James de 1611 custa uma fortuna.

É verdade que nem todas as versões são traduzidas “tão adequadamente quanto à fraseologia, nem tão explicitamente quanto ao sentido, em todas as partes”. É possível encontrar “imperfeições e defeitos” em muitas delas.

Mas como salientaram os eruditos da King James em seu prefácio, o reino de Deus não é palavras e sílabas. A verdade sobre Deus permanece eternamente a mesma, a despeito da impropriedade da linguagem humana para descrevê-lo.

O próprio contraste entre a grandeza de Deus e as limitações da linguagem humana, tornam a variedade na tradução bíblica grandemente desejável - na verdade, indispensável.

Tiremos o chapéu para os tradutores da King James! Sua versão agora parece antiquada. Mas sua compreensão do propósito da Palavra de Deus é tão moderna quanto hoje.

Você pode confiar nas traduções publicadas por esses homens.

1 Comment:

E. C. O. Schulz said...

Fred, de onde você está tirando esse série?